Luminescência. Por Joabe Seara, poeta itabunense

Joabe Seara
Luminescência

Raio de desejo que sobre ti se lançou
Chegou primeiro que o sol.
Preferiu as frestas, não das janelas da sua casa
Mas as janelas lunares dos teus olhos
A fresta do teu vestido – a festa das primeiras horas

Raio materializado, que me fez ser
A riscar teu céu, arrasar a terra onde pisas
Incendiar tuas rochas, te fazer vulcão
Explosão de duas bocas sedentas
Que se devoram feito feras amantes.

Suor escorrido pelas costas e encostas
É rio claro e fértil, corredeira do meu peito
Rumo à foz dos teus seios, sol antecipado
Ao som de chuva repentina lá fora,
Aqui… arde – inflamado desejo

Inunda a cama – tatame luminescente.
És bicho solto e voraz a brincar com raios
Abruptos, incandescentes, indecentes
Entardecemos antes do outro sol chegar
Novo clarão, agora, somos sossego e silêncio lunar.

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