IMPACTOS DO PORTO SUL IRÃO PREJUDICAR 3449 PESCADORES

Blog do Gusmão. Os dados estão no Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) do Porto Sul “compilados” pelo consórcio Hydros/Orienta.

A pesquisa encontrou 3449 pescadores cadastrados, sendo 1964 ligados à colônia Z-34, 596 na colônia Z-19, 71 na associação de pescadores de Serra Grande e 818 na colônia Z-18 de Itacaré.

O relatório, como se dizia antigamente, “dá uma no cravo, outra na ferradura”. Afirma que a pesca tem importância econômica para a região, mas vive uma situação crítica (a cacauicultura vive situação parecida, mas nem por isso devemos abrir mão dela).

Nas áreas de influência do empreendimento, foram identificados tipos diferentes de pesca: estuarina, rios e lagos que utiliza como apetrechos linha, emalhe, jereré, entre outros; pesca na praia com tarrafas, linhas e calões; pesca de linha no mar com espinhel e anzol; pesca de arrasto no mar com rede; pesca de emalhe no mar que utiliza rede de emalhar e caçoeira.

Os impactos serão prejudiciais à pesca de: siris, guaiamuns, caranguejos, robalos, carapebas, tucunarés e tilápias (espécies estuarinas ou de rios e lagoas); camarão- pistola, camarão-rosa e camarão-sete-barbas, lagosta e peixes de elevado valor comercial.

Caso o empreendimento saia do papel, as espécies acima mencionadas não serão encontradas, com a mesma facilidade de sempre, em nossas feiras livres, barracas de praia e restaurantes, escassez que afetará a nossa cultura gastronômica e segurança alimentar.

O RIMA do Porto Sul optou pela timidez ao detalhar os impactos que irão afetar demasiadamente a atividade pesqueira. Mesmo assim, se for lida com atenção, a descrição dos efeitos prejudiciais assusta:

“Afetação associada ao meio socioeconômico: relacionada às alterações nas localidades nas quais os pescadores moram, nos acessos às áreas de pesca, no mercado consumidor e formas de comercialização, no preço dos recursos, nas alternativas de emprego e ocupação e outras;

Afetação associada ao meio físico: relacionada às alterações na qualidade da água e do sedimento, incluindo a presença de material particulado na água, na alteração da vazão estuarina, na alteração da dinâmica de sedimentos nas praias e outras;

Afetação associada ao meio biótico: relacionada às alterações associadas ao comportamento dos recursos pesqueiros e à sua qualidade – atração, fuga, composição, abundância, espécies exóticas e outras”.

O estudo revela que o maior número de pescadores está em Ilhéus. Nas considerações sobre os impactos, ressalta a necessidade de execução de programas de compensação e de monitoramento pesqueiro. Entretanto, não garante que todos os pescadores prejudicados terão trabalho garantido no Porto, e também não explica como ocorreria a adaptação aos novos empregos.

O Relatório pode ser lido nesse link.

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