Estudo revela que trânsito mata mais do que câncer e homicídio no Brasil

O Observatório Nacional de Segurança Viária levantou para a Revista Veja, com base nos pedidos de indenização ao DPVAT, seguro obrigatório de veículos, dados impressionantes a respeito do número de acidentes com mortos ocorridos no Brasil se comparado a outros países. Segundo a publicação, na Alemanha, as mortes caíram 81% nos últimos quarenta anos. Já a Austrália conseguiu reduzir a mortandade em 40%. Com relação ao Brasil, em 2012, mais de 60 mil mortos foram registrados, o que significa um aumento de 4% em relação a 2011. Ou seja, morre mais pessoas em acidentes de trânsito, do que por homicídio ou câncer.

Entre tantos problemas que resultam nessas mortes, a ineficiência do poder público na aplicação das leis pode ser considerada a de maior importância. Um estudo recente do Centro de Pesquisa Jurídica Aplicada da Fundação Getulio Vargas revelou que 82% dos brasileiros acham fácil desobedecer às leis no país. Em cidades pequenas do Nordeste, por exemplo, as autoridades preferem fazer vistas grossas para as infrações, do que punir os condutores. O paradoxo explica o aumento de vítimas envolvendo motos. Em 2012, metade dos 27% dos pedidos de indenização por morte no trânsito foi por acidentes envolvendo motos.

Uma cena nada rara é a de duas pessoas e uma criança em cima de um veículo com duas rodas. Justamente por isso, a região é campeã nacional em número de vítimas com menos de 7 anos sobre motocicletas e a maior unidade de emergência médica, o Hospital de Restauração de Recife, chegou a ter neste ano 80% dos leitos ocupados por acidentados. Dessa forma, o estudo do Observatório traz uma fonte de dados precisos que põe o trânsito como a segunda maior causa de morte no país, atrás de doenças circulatórias. Em dezesseis anos, a Guerra do Vietnã foi menos letal para as fileiras dos Estados Unidos, do que o vai e vem de veículos e pedestres conseguem ser em um ano no Brasil.

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