Escolhendo um cerimonial

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Por: Rômulo Macêdo

“Quem há, dentre os seres humanos, que não goste de festas e celebrações? Qual é a alma que não gosta de vivenciar alegrias e júbilos?”

Entretanto, é preciso muito cuidado na hora de escolher o cerimonial e o buffet. Tal escolha não é tão simples como algumas das que fazemos cotidianamente no comércio, visto que estaremos entregando um momento significativo de nossas vidas aos cuidados de uma empresa ou profissional.

Em primeiro lugar, é necessário que esse profissional tenha a formação necessária para atuar com aptidão no segmento, a excelência, característica dos profissionais que tem uma boa formação, e a ética, que impele o profissional a cumprir os seus contratos, honrar sua palavra e proceder dignamente.

Todavia, esses atributos não são facilmente encontrados no segmento de eventos. Em primeiro lugar as pessoas não querem pagar o preço sacrificial de ter uma formação; elas se lançam no mercado e objetivam o lucro, mas como diz o antigo ditado: “quem não tem competência, não se estabeleça”. Nenhuma pessoa de bom senso, ofereceria serviços de advocacia sem ter a devida formação para tal. Porém, há muitos profissionais dizendo-se cerimonialistas, mas, se questionarmos sobre se possuem formação na área, restarão poucos.

As pessoas pensam que para atuar no cerimonial basta assistir um ou mais cerimoniais, ler alguns textos na Web e pronto. E os contratantes que não estiverem instruídos, para fazerem uma seleção criteriosa, acabam se tornando vítimas das mais variadas falhas desses profissionais. Pelo menos é o que tenho ouvido nos meus anos de consultoria na área.

O cerimonialista não é o mestre-de-cerimônias, mas o maestro de um cerimonial ou mesmo de todo o evento, quando se dá a extensão da cerimônia para a festa. Nesse caso, equivale também ao “mestre-sala” da Antigüidade, mencionado no segundo capítulo do Evangelho de João, o qual estava apto a fazer a degustação e análise sensorial do vinho que Jesus servira no casamento de Caná.

A cerimônia, porém, é a alma do evento, ainda que muitas vezes não seja devidamente valorizada. Pode haver cerimônia sem recepção, mas nunca recepção sem cerimônia. E o cerimonial não é algo grosseiro, realizado arbitrariamente, por pessoas de índole pragmática. É preciso conhecimento em diversas áreas, criticidade, sensibilidade, fineza, enfim, a dedicação de uma vida, frutos de quem desempenha sua função com amor e zelo.

Para atuar como maestro, o cerimonialista precisa ter formação em cerimonial, filosofia da arte ou crítica de arte para atuar na ornamentação, conhecimentos em música, que está intimamente ligada a cerimoniais como o do casamento, e por fim, conhecimentos em gastronomia e enologia, se vai atuar na coordenação do buffet. Não precisa ser celebrante, decorador, músico, chef ou sommelier, mas conhecer bem todas essas áreas, se pretende assumir os quatro pilares essenciais de um evento, que são, como apontamos, cerimonial, música, decoração e buffet.

Se o profissional não cumpre esses requisitos, que não se proclame cerimonialista, mas decorador, no caso de quem atua em ornamentações, ou administrador de um buffet, no caso de quem presta serviços relacionados à comida e bebida em recepções. Cerimonial é outra coisa. É indesculpável, mas muitos profissionais que estão no mercado e na Web ostentando anúncios de cerimonial sequer tem noção da diferença entre um cerimonial e um buffet, o que diagnosticamos a partir da constatação dos serviços que efetivamente a empresa oferece.

E é exatamente pelo fato de que são poucos os profissionais habilitados a atuarem no cerimonial que temos presenciado uma chuva de práticas inadequadas, uma realidade degradante que deixa perdido o público em meio aos pareceres subjetivos de profissionais que, por sua vez, infelizmente, também estão perdidos. E nossa intenção com textos como esse é justamente trazer alguma luz sobre o assunto, a fim de que haja uma mudança nessa realidade. Também por essa razão, estamos em processo de diálogo e encaminhamento à Câmara Municipal de Itabuna de uma indicação de projeto de lei, a fim de que haja uma regulamentação para o segmento.

Portanto, que tenhamos mais cuidado na hora de escolher um cerimonial, afinal, a responsabilidade de cuidar de sonhos que se tornam realidade ou da concretização de sonhos num momento existencial solene, não é algo que devamos tratar com negligência.

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