Cada vez mais mulheres mostram que merecem um lugar no mercado

A INSTRUMENTISTA*
Por: Alane Reis

Apresentamos Marina Melo, técnica de instrumentação*, isso mesmo! Mulheres também ocupam esse cargo e muito bem por sinal, é ela que acorda todos os dias às cinco da manhã, para preparar o almoço e levá-lo ao trabalho. Na rotina de pegar ônibus para chegar ao labor ela traja suas roupas descoladas e chega ao terminal ainda com estilo de modelo. Pois é, com um corpo de dar inveja ela consegue arrancar olhares por onde passa e até suscita a pergunta de quem não está acostumado a vê-la vestida assim: Quem é aquela menina?

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Para ela a primeira tarefa do dia começa com a mudança no visual, é neste momento que dar início a transformação da mulher de curvas finas e que a partir de agora vai adentrar a um visual comumente másculo, porém, não abre mão também da vaidade, é inconcebível como as percepções de olhar sobre ela são ligeiramente modificadas, às vezes nem dá para acreditar que é aquela mesma pessoa que chegou logo cedo. Mas, a marca do batom é um dos sinais que a leva ao universo feminino, além claro, de falar muito, muito mesmo e da empatia e delicadeza em tratar os instrumentos de trabalho, afinal, o toque feminino é fundamental em quaisquer circunstâncias; quer enxergar além do que os olhos masculinos podem ver? Pode chamar Marina, porque mulheres observam detalhes que passam meramente despercebidos pelo mundo dos super homens.

Agora ao sol do meio dia é chegado a hora do almoço, pode esperar que ela vai falar muito mais, afinal passou toda a manhã conversando com homens e certamente naquela linguagem técnica que só entre eles mesmo para haver compreensão, então a hora do almoço torna-se a hora do lazer em que o encontro com outras mulheres a faz se sentir mais mulher e vamos discutir sobre roupas, maquiagens, baladas, fim de semana na praia e sobre meninos também e como ela mesma diz: Como essa hora passou rápido! Já passou o horário de almoço depois a gente conversa mais. Quanta falação! Até parece que ficou amarrada durante toda a manhã e na hora que soltou ela solta a língua e não para mais, e ai de quem interrompê-la, o tempo é curto, ela precisa falar tudo, mas fala tudo e mais um pouco.

A tarde chega, e também com isso tudo, não é ignorável a presença dela como figura feminina no setor da manutenção, que é predominantemente masculino em nossa unidade, ela e exclusivamente ela, é quem recebe os elogios, quem alimenta o ego a cada cantada, que tem uma resposta para tudo na ponta da língua, que é espontânea e ao mesmo tempo tímida e tem que, além de tudo, ser reservada porque afinal ela é rodeada de homens durante as oito horas de trabalho e sem dúvida ela é notada por todos para além do seu feminismo, pois é com competência, responsabilidade e respeito que a faz uma grande mulher, atuando e mostrando para todos que além de mulher ela é uma profissional completa, tanto quanto qualquer homem que venha a exercer a sua função.

Enfim, o fim da tarde, os óculos, o capacete e a roupa de área, que são seus equipamentos de proteção individual, mais uma vez, serão substituídos pelas vestes de menina e tudo, de novo, recomeça. E ela forte, determinada, livra-se de qualquer tipo de preconceito que possa existir, enfrentando desafios, superando obstáculos, uma baianinha ‘arretada’ que surpreende a cada dia.

*Profissional que realiza manutenção em instrumentos e equipamentos industriais

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