BIENAL DE ARTE DA BAHIA ESTÁ DE VOLTA APÓS 46 ANOS

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Após 46 anos, a Bahia terá novamente uma Bienal de artes que, durante 100 dias, terá exposições e atividades educativas que vão ocupar diferentes espaços culturais e sociais em Salvador e no interior do estado. Uma entrevista coletiva do secretário de Cultura do Estado, Albino Rubim, nesta segunda-feira (2), às 9h, no Casarão do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), marca o lançamento da 3ª Bienal da Bahia, que acontece de 29 de maio a 4 de setembro de 2014. Também estarão presentes a coreógrafa Lia Robatto, que participou da 1ª Bienal (1966), e os artistas Gaio e Ayrson Heráclito.

“O Brasil e a Bahia devem ter uma grande visibilidade (em 2014), por conta da Copa do Mundo. Neste sentido, entendemos que a Bienal apresenta para o mundo e para a Bahia a nossa e muitas outras culturas. A 3ª Bienal continua processos interrompidos pela ditadura que, em 1968, fechou a 2ª Bienal da Bahia. Resgatar a história e estar sintonizada com a contemporaneidade são dois bons desafios para uma Bienal”, afirma o secretário.

O diretor do MAM-BA, Marcelo Rezende, vai conduzir a produção e a realização da Bienal em 2014, juntamente com um conselho curatorial. A bienal internacional da Bahia foi instituída por decreto em 2009. “Uma bienal não é uma exposição, são vários projetos e acontecimentos. Significa também conviver com a arte, experimentá-la. O Estado da Bahia decidiu recuperar uma história que foi interrompida em 1968”, afirma Rezende, referindo-se à 2ª edição, fechada pela ditadura militar dois dias após sua abertura. O diretor participou da 28ª Bienal de São Paulo, em 2008, com a criação da plataforma curatorial 28b. A nova bienal substitui o Salão da Bahia, organizado pelo MAM durante 16 anos.

As ações serão distribuídas não só pelos museus de Salvador e centros culturais do estado, mas acontecerão também na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, nas universidades e em outros locais expositivos, inclusive residências e espaços menos convencionais.

História das Bienais

Promovida pelos artistas Juarez Paraíso, Chico Liberato e Riolan e com o apoio do governo da Bahia, a 1ª edição do evento – denominada 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas – foi realizada em 1966. A proposta era descentralizar a produção de arte no Brasil, ao mesmo tempo em que afirmava o diálogo do cenário baiano e nordestino com as obras e os artistas nacionais.

Com a 1ª Bienal, Salvador se torna, então, um centro regional para discussão da arte, após um rico contexto cultural delineado desde a década de 1930. Hélio Oiticica, Lygia Clark, Rubem Valentim e Rubens Gerchman foram os premiados da primeira edição, que teve ainda a participação de Calasans Neto, Emanoel Araújo e Mario Cravo Neto.

A 2ª Bienal de Arte da Bahia foi fechada e após um mês reabriu com dez obras a menos, consideradas subversivas pela ditadura. Desde então, as Bienais Nacionais de Artes Plásticas da Bahia, ou apenas Bienais da Bahia, não ocorreram mais. Uma recordação recente veio em 2008, com a Escola de Belas Artes da UFBA. A instituição realizou um encontro a fim de relembrar o movimento das artes na Bahia e no Brasil. Secom

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